High and dry

Ando à chuva fugindo do silencio e do espelho. Entre uma poça e outra, procuro falar ou ouvir, observar ou fugir, tudo numa urgência em não ficar sozinha e me sentir na obrigação de me ver por dentro. Evito espelhos e meto a música alta para não me enfrentar, não me quero enfrentar, não me quero ver nem ouvir. A realidade que tenho para me dizer incomoda e não estou pronta para a saber. Ando numa luta e espero ganhar consciência sem perder alegria. Ando numa competição interna em que não quero saber quem ganha, quem sabe a verdade,a verdade não é importante, por vezes a verdade não interessa, já não interessa, não quero que interesse.

Entre uma poça e outra pergunto-me como cheguei até aqui, sem guarda chuva nem impermeável. Pergunto-me com pude não vir prevenida, confiante do sol que nem sequer brilhava. Enquanto me molho ponho em questão se tenho anti corpos suficientes para não desfalecer, para não desistir, para não cair na cama, na alma, na vida. O sol nem sequer brilhava.

Vejo séries cor de rosa, leio livros de final feliz numa tentativa de crescer sem amargar. Ouço histórias e procuro comparações tentando entender onde errei, como errei, fui eu quem errou? o sol nem sequer brilhava...
enquanto fujo de mim própria, enquanto a chuva cai e já nem tento me proteger dela, pergunto-me se é mesmo assim, se será sempre assim e se tem mesmo de ser assim. Há enganos que custam anos de alma e com eles aparecem rugas no coração. O sol, esse, nem sequer brilhava.


Ó minha linda...

Então tu achas mesmo que podias passar um sábado perfeito, com uma festa surpresa bem conseguida, rodeada de amigos, amores e família, ainda saíres para jantar ao japonês do Penha longa e no caminho dançares ao som de músicas "carrinhos de choque" enquanto gozas com o resultado dos "grandes clubes" de futebol? Acabares a noite num bar, a ouvir o "concerto mais pequeno do mundo" com a tua @miga a babar-se porque "ele toca bem, não toca?", deitares tarde e com um sorriso nos lábios pensando "a vida, por vezes, é perfeita e só acordo quando me apetecer"?

Então vá, acorda duas horas depois, procura uma farmácia de serviço, de gatas porque não és de ferro, e arranja quem te dê, sem prescrição médica, Ventilan, Atrovan, Pulmicort, cortisona, qualquer coisa que abra os brônquios. Vá...

O teu alter ego.

Eu tenho

as melhores amigas do mundo. Aquelas que não falham, que estão ali quando sentem que é preciso, que me fazem rir quando só quero chorar, que fazem dos meus dramas uma comédia, que se sentam ao meu lado, na relva e brincam com os meus defeitos tornando-os em pequenos pormenores que "até têm certa graça", que me ouvem horas a fio, sem interromper, ouvindo com atenção o tempo que for preciso, quando for preciso, desde que seja preciso (é sempre preciso). Eu tenho as melhores amigas do mundo, aquelas que me alegram o dia, alegram a vida, que me aconchegam a alma, aquecem o coração e me fazem sorrir (e é tão importante sorrir). Tenho as melhores amigas do mundo, cada uma com o seu papel, cada uma com as suas capacidades de fazerem de mim uma pessoa melhor. Tenho as melhores amigas do mundo, que me abraçam porque sim, que me enchem de beijinhos porque sou "uma tosca" e me dão raspanetes quando preciso que alguém me meta na linha. Não quero esquecer nunca que tenho as melhores amigas do mundo.

Este não é o meu registo





Mas não resisto em abordar essa coisa super romântica do restaurante onde se pode (e se deve) fazer "o amor" nas casas de banho. É uma delicia.
Antigamente, os casais iam jantar. Alimentavam-se, olhavam-se nos olhos (quando não era para a televisão que estava lá em cima e do lado oposto ao cavalheiro) , ainda faziam uns truques com a cereja e lambiam os dedos num preliminar mais ou menos tosco mas fofo. É só por não resistirem às hormonas e às emoções que lá se comiam, um ao outro, rápido rapidinho à socapa, assim entre o cherne grelhado e o bife de lombo. voltando depois para os seus lugares, saciados, endireitando a saia ou alisando a camisa e pronto. Felizes da vida. Hoje não, entre uma posição e outra, lá vão rapidamente comer um paozinho com manteiga (e já vai com sorte).

Imagino o empregado. Deve chegar à mesa e dizer com o seu ar superior e conhecedor do assunto "sugiro o preservativo fluorescente que aquilo lá dentro está escuro e apertado. De costas talvez seja mais prático porque - lá está - o espaço é pequeno, talvez se lhe disser palavras arrojadas, a coisa seja mais rápida e sim, pode dar-lhe palmadas, já reparei que tem um corpo propicio a isso" ao que o casal olha um para o outro e concorda. Fácil fácil. "e vão querer pão com pasta de atum ou só a manteiguinha serve? (sorriso maroto)"

Deve ser giro estar num sitio onde todos os casais vieram ao mesmo. E deve ser mais giro saber que estão num restaurante não para comerem mas sim para se comerem.

Depois há o famoso empregado que vai limpando as casas de banho. Imagino que deve estar de vassoura na mão, luvas brancas que seguram os seres poliuretanos, enganando-se de vez em quando na porta e incomodando aqueles que demoraram mais que cinco segundos. Lá fora estão aqueles que vieram ao engano e que estão de bexiga cheia. Na volta ainda são insultados com um "ai que nojo, get a room".

Lá está, as pessoas não fazem sentido.

As pessoas não fazem sentido

uma amiga minha diz que essa demência é o primeiro sinal do fim da humanidade. Por vezes acho que tem razão, as pessoas não fazem sentido. Hoje em dia, e pelo que vejo e ouço, a paixão não traz sexo, o amor não tem confiança nem risos, as amizades raramente trazem confidências e a humanidade não tem respeito. As pessoas não fazem sentido, anda tudo à nora, num vai não vai que não fica nem se vai embora. A solidão é uma palavra assustadora da qual se tenta tapar seja com quem for, como for, onde for, por favor...

Estou um pouco cansada de histórias de pessoas especiais que são vistas como banais, de vidas que são mais que fodidas, de amores que não são compreendidos, as pessoas não fazem sentido. A palavra não tem valor, cada mundo é mais autista do que o outro e o jogo não acaba, nunca acaba, vai continuando, a durar, a jogar e a entrar a matar, só à espera de acabar. As pessoas não fazem sentido, confundiram tudo, quiseram ser originais para não serem normais e acabaram por serem banais. Por vezes fico cansada das pessoas e preferia que não fossem tão dementes. Especialmente não queria ficar descrente.

No regrets



O problema não sou eu. És tu.

Hoje ao almoço disseram-me que sou agressiva na escrita. Doce ao vivo mas agressiva na escrita. Levaram um chuto na boca, claro, que geralmente quando me dizem essas coisas eu fico completamente fora de mim (o que prova que quem é agressivo aqui não sou eu, é ela, a outra que se apodera de mim quando me criticam).
E, falando a sério, fiquei triste porque não me considero agressiva. Sarcástica talvez, irónica, espero que sim, agora agressiva? nunca ninguém morreu nas minhas mãos e todas as queixas foram retiradas.
O que as pessoas têm de pensar é que nós, os outros, também agimos conforme o que parecemos. Isto da personalidade é um pouco pescada de rabo na boca. Com metro e setenta e cinco, e olhar matador (não consigo evitar, faz parte do cadastro) não posso ter voz fina nem falar como se estivesse a cantar Nana Mouskouri. Simplesmente não se funciona assim. Já tentei, juro, é isso e já fiz de conta que era a parvinha alegre e a namorada perfeita que aguentava tudo porque "tudo bem, preciso da tua protecção e ficarei aqui à espera que acabes de curtir com a minha melhor amiga porque sim, sou fraca fraquinha" (não funcionou, casaram e são felizes, os sacanas). Ou então simplesmente pedir mimo, sentar-me, mais o meu metro e setenta e seis (entretanto entre uma frase e outra cresci um centímetro) e aninhar-me. Também não dá. Sou pesada (os ossos, os ossos são maciços, claro), sou enorme, ocupo espaço e volta pró anexo que aqui tás a abafar toda a gente. E sim, por vezes gostava de ser pequena. E loura com sardas. E ar fofo. Ninguém engana uma coisa fofa, ninguém deixa a pequena fofa. Não se é calimero com ela, ela é que se dá ao luxo de poder, se quiser, ser a vitima de todos os tempos. É cruel deixar a pequena fofa. Já a matulona cavalona, deixa lá, nem dá por isso, é forte, a mulher (dou, meus queridos, se dou)

Não és só o que és mas és (ou adaptas-te) ao que pareces. Tem a ver com escola primária e socialização e essas coisas que se aprendem inconscientemente na escola e que nos ajudam a tirar partido das coisas boas fazendo assim esquecer as coisas más. Eu fiquei com as duas partes. Sortuda, é o que sou.

E não sou Drama Queen. Parem de me chamar isso. Acho mesmo que tudo o que acontece na vida tem de ser visto à lupa e analisado e dissecado e sim, muitas vezes o que me acontece são tragédias, não consigo evitar. Acho mesmo que as pessoas não gostam de mim e existem unicamente para me fazer a vida negra e me magoarem mas isso também tem a ver com a mania de perseguição que eles, os que me seguem para me infernizarem a vida, dizem que tenho. Faz parte do plano. Eu sei isso tudo, não sou burra, bolas...



O único final feliz:

Bom,

vou deitar-me.
Por respeito aos sportinguistas, não irei bater em cão morto (dança da vitória), não irei dizer o resultado final da partida (5-1) (Repito; cinco - um) (isto é, o porto marcou cinco golos e o sporting marcou - segurem-se - um) e vou (cinco a um) ver um filme (portanto o sporting perdeu).

A vossa sorte é eu ter a sensibilidade de não gozar com os clubes que perdem (por cinco a um) jogos de quartos de final. Em vez disso vou ver um filme (cinco a um), acho que se chama "a queda de um império" ou lá o que é...

Durmam com os anjos. Se estiverem sozinhos, durmam com 5.


(o corrector ortográfico diz que sporting escreve-se com S maiúsculo. Está a precisar de actualização de software...)

Errata: vá... estava a lavar os dentes e o sporting lá se enganou e acertou na baliza. Huuuuu. 5-2

Vinte e uma horas e cinquenta e dois minutos


4-1



(bocejo...)

É uma promessa

São 20h25.
Venho por este meio prometer que, caso o Sporting ganhe, irei comprar (atenção, não compro cd's há anos) a colectânea toda dos delfins e ouvi-los da primeira faixa à ultima, pedir emprestado os discos do Neil Diamond à minha mãe e dançar ao som do "sweet Caroline" e, por fim, prometo ler todos os livros do Nicolas Spark.




Só para vocês verem o quanto tenho fé nesses tipos...

Textos que não interessam a ninguém

Hoje em dia a sinceridade é sobrevalorizada, considerada um requisito número um de qualquer relacionamento. Cada vez menos concordo com isso, cada vez mais acho que o silencio ou uma pequena mentira fazem milagres enquanto que uma verdade dita na altura errada causa danos irremediáveis.

as pessoas acham que serem sinceras é serem dignas, é enfrentarem o outro, o tal que gostam muito e "portanto vou ser-te sincero", com o seu ponto de vista, ponto de vista esse de alguém que está de fora e - entenda-se - vê a situação isenta de qualquer sentimento, mas, lá está, vai ser sincero porque "sou teu amigo" portanto "tu sentes e sofres e eu, teu amigo dono de uma capacidade de ver as coisas como são, vou-te dizer a verdade... assim que parares de chorar, sim?"

A pessoa sincera por natureza irrita-me. Chego a achar que roça o egoísta que se orgulha de ser dono da verdade julgando que escarrapachar na cara do outro é a primeira coisa que se deve fazer quando um problema ou um engano acontece. Não é. Tão não.

De vez em quando a sinceridade não é importante, no fundo até sabemos a verdade e não queremos que nos lembrem qual é. Aqui entre nós já perdemos noites a pensar nessa verdade que o outro insiste em nos dar a conhecer, já chega, não é isso que se quer. De vez em quando só queremos que entrem no nosso mundo, onde a verdade é a ultima coisa que interessa agora, e nos metam a mão no ombro, nos sequem as lágrimas e fiquem ali, caladitos, a sentir o que sentimos (ou a fazer de conta, vá) e esperem que nos erguemos de novo para - aí sim - nos dizer o que realmente pensam, julgam saber, sempre do ponto de vista de alguém que não sente na pele, claro.

Vai uma aposta?

Dou uma hora para alguém, algures, fazer piada fácil sobre o "dia mundial das zonas húmidas"

Tina rules

La Mezquita de Almonaster




(Há quem peça desejos com moedas. Eu peço com flores)

The game


Também sei jogar. Fazer-me de difícil. Virar o jogo a meu favor. Não mostrar fragilidades, pontos fracos e medos. Sei perfeitamente quais os músculos da cara que me fazem parecer indiferente, o tom de voz que filtra o sentimento, o andar que mostra que sou tão superior. Sei fazer de conta que a aproximação é pura, sem segundas intenções e sorrir, responder que "o mundo é pequeno". Sei isso tudo. Só não sei se isso, se essas atitudes, quando não genuínas, podem fazer de mim melhor pessoa. Se acrescentam algo na minha vida. Só isso.

Os comentários




Na verdade, divirto-me com os comentários alheios.
Admiro as pessoas que clicam no "comentar", dão-se ao trabalho de meter as letras de verificação para depois se saírem com um "concordo!", "lol", e os magníficos "comigo também foi assim, nasci em 1923, e já nessa altura (...) depois ao vinte anos fui (....) e aos quarenta tive (...) e hoje estou (.....) e vestida com umas calças com bolsos e uma camisa de botões dourados e uma pulseira de (....) e vou agora fazer o almoço que será (...)".
Eu (eu) acho que quando se clica no comentar, está-se a responder. Que seja útil, Que seja informativo, que se desenvolva, que se debata ou se divirta. Qualquer coisa que não se resuma a um grunhido ou uma história que não cabia no blog do outro.
Lembro-me dos tempos (saudades) em que o sentido de humor predominava a caixa de comentários. Lembro-me das informações úteis que me foram dadas, dos outros pontos de vista, curtos e concisos, da assertividade. Lembro-me também de uma pessoa que decidiu dar-se ao trabalho de me mandar um mail criticando-me furiosamente por ter feito um spoiler de uma série que ele estava quase a acabar. Se deixei de o fazer? talvez. Pedi desculpas? claro. Isso sim, é evoluir, é desenvolver, aprender, é comunicar, é reciprocidade.
Hoje em dia as pessoas comentam porque respiram, porque querem marcar o ponto, dizerem que sim, estão presente e - pasmem-se, também têm um blog (visita-me, tenho lá um prémio para ti) fazendo disto tudo um exercício vão de escrita. Uma dúvida de se nos entenderam. Se estão ali porque gostam ou porque querem um spot de luz em cima deles, constante e ambulante. Porreiro são os "olhe que não, talvez não esteja tão certa" (com meiguice, claro, que sou sensível a criticas) ou um acréscimo de uma ideia, com humor, com entendimento, com qualquer coisa que ultrapasse "lol" e "ahahahah" e "concordo (ponto)" que nos fazem duvidar se estão a escrever de um magalhães ou se de um computador normal.
Sempre achei que, quem quiser mesmo dizer algo, quem tiver mesmo algo a acrescentar, não se importa de ser discreto, que o nome não apareça, que quer lá saber se tem de entrar pela porta dos fundos em vez da passadeira vermelha. Esses sim, valem a pena. Muito.


Latika's theme



Voltei a ver o filme. Tenho a certeza que voltarei a vê-lo outra e outra vez. Até interiorizar que sim, é possível que os danos de outrora nos sirvam para um futuro melhor.